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Saiba como atrair os investidores para o seu negócio

Publicado por Vânia Lima em 08/04/2015
Saiba como atrair os investidores para o seu negócio

Duros, implacáveis, agressivos, empresários bilionários e multimilionários, homens e mulheres que subiram a pulso no mundo dos negócios e criaram as suas próprias fortunas, investidores ferozes. Numa palavra: “tubarões” empresariais. Assim se definem os membros do painel do ‘reality show’ americano ‘Shark Tank’ (traduzido para “Lago dos Tubarões”, em Portugal, e transmitido pela SIC), um programa televisivo inovador ao qual os empreendedores se candidatam para, em frente às câmaras e a milhões de espetadores, apresentar a sua ideia de negócio e pedir financiamento em troca de uma percentagem da empresa e, consequentemente, dos lucros.

Com a estreia no canal de televisão SIC, os empreendedores nacionais dispõem de algumas oportunidades para estarem frente a frente com os investidores interessados em apostar nos seus projetos inovadores. Os concursos BET Breaking Tech e o programa de aceleração de empresas Lisbon Challenge são dois bons exemplos desse contato direto com os investidores ‘made in Portugal’.

No mundo real das empresas e das ‘startups’ as negociações entre empreendedores e investidores não são assim tão diferentes daquelas que acontecem no Lago dos Tubarões. A garantia é dada por António Murta, fundador e ‘managing partner’ da empresa de capital de risco Pathena (especializada em Inovação e Tecnologia), e Ricardo Luz, presidente da Invicta Angels – Associação de Business Angels do Porto e vice-presidente da Federação Nacional de Associações de Business Angels. ‘Reality shows’ à parte, o que devem então fazer os empreendedores portugueses para cativar os investidores e assim obter financiamento? Conheça, na primeira pessoa, os testemunhos e as dicas práticas dos dois ‘business angels’ nacionais.

Siga as dicas dos investidores portugueses

1. O que devem fazer os empreendedores para cativar os investidores?
Acima de tudo, defende Ricardo Luz, responsável da Invicta Angels e ‘partner‘ da Gestluz Consultores, “devem fazer crer o investidor que são capazes de desenvolver os produtos ou serviços que apresentam; que são capazes de os vender; e que, vendendo-os, são capazes de o fazer em larga escala e com lucro significativo”. António Murta, ‘board adviser’ do programa de aceleração Lisbon Challenge e membro da rede de investidores parceiros da Beta-i, aconselha os empreendedores a demonstrar empenho pessoal (sobretudo a nível financeiro) no projeto, a convencer acerca do potencial da ideia e do tamanho razoável do mercado endereçável, a ter perspetivas balanceadas de valorização e a apresentar uma equipa com maturidade para discutir as suas debilidades e formas de as ultrapassar.

2. O que mais valorizam num projeto no momento de investir?
António Murta valoriza acima de tudo “a seriedade das pessoas que estão por trás do projeto”. Ricardo Luz dá pontos positivos se os empreendedores forem íntegros, ambiciosos e competentes, se acreditarem no seu projeto empresarial, se estiverem totalmente empenhados e se se revelarem capazes de o concretizar. O ‘business angel’ valoriza também projetos em que os produtos ou serviços a desenvolver tenham mercado e um modelo de negócios sólido que os suporte. É importante também, frisa Ricardo Luz, que os empreendedores “conheçam as competências e os recursos que possuem, e saibam o que querem fazer com o dinheiro que solicitam aos investidores“. Por último, refere, os investidores querem também sentir-se entusiasmados para acreditarem nos sonhos dos empreendedores e fazerem parte da sua concretização.

3. Como avaliam a relação entre o risco e o potencial de crescimento do projeto?
Aqui, Ricardo Luz não hesita em afirmar que valoriza “o grau de risco/retorno envolvido em função da qualidade global do projeto, bem como a capacidade dos empreendedores para o concretizarem de forma lucrativa”. À semelhança de todos os investidores, diz António Murta, na hora de investir o que mais pesa na decisão é o possível retorno do investimento feito. “O risco existe sempre mas tem de ser calculado – e ajustado às mais-valias potenciais“.

4. O que define um ‘pitch’ perfeito?

Para Ricardo Luz, uma boa apresentação de uma ideia de negócio é aquela em que o empreendedor demonstra sinceridade, coerência do modelo de negócio, confiança no projeto e motivação para o concretizar. Por seu lado, António Murta garante que não existe um ‘pitch’ perfeito, mas sim ingredientes chave que não podem faltar: qualidade da visão, potencial económico da oportunidade, paixão pelo tema, valores, seriedade e empenho pessoal da equipa.

5. A empatia pessoal com os empreendedores é importante?
“Para os números apenas se olha para lhes perceber a coerência. A empatia é muito importante, em especial se levar o investidor a acreditar que os promotores são capazes“, defende o presidente da Invicta Angels. Neste campo, o responsável da Pathena opta por uma comparação: os números do negócio representam a Física, e a empatia pessoal representa a Química. As duas são importantes, refere, mas “as forças da Química são ainda maiores do que as da Física. No entanto, “os números têm de ser suficientes para o assunto ter relevância“.

6. O financiamento é um dos principais desafios das empresas portuguesas?
Confiante na retoma da economia portuguesa, António Murta acredita que “hoje o financiamento é menos problema do que já foi, sobretudo na área das tecnologias, onde existe mais disponibilidade de canais de investimento de capital de risco”. Além disso, sublinha um maior profissionalismo na seleção e avaliação dos projetos para investir, tanto no capital de risco público como privado. Na opinião de Ricardo Luz, o financiamento continua a ser um desafio para as empresas portuguesas, em especial para as ‘startups’ que não possuem meios próprios e dimensão para o garantir e potenciar.